A forma mais rápida de denunciar uma landing feita com IA é deixar claro que a IA tomou todas as decisões estéticas por você. O mesmo layout de sempre, a mesma iluminação artificial, o mesmo hero estático e o mesmo acabamento sem intenção. O resultado até pode parecer limpo, mas também fica totalmente intercambiável.
O caminho que me parece bem mais interessante vai por outro lado: não usar a IA para vomitar uma página inteira, mas sim para gerar um asset visual muito concreto que depois você controla bem no frontend. Neste caso, um vídeo de produto que começa com o objeto desmontado, se monta em câmera e depois vira o centro de uma landing com scroll reveal. Aí a IA deixa de ser “o designer completo” e passa a ser uma peça dentro de uma direção criativa bem mais clara.
É exatamente isso que torna este formato potente. Em vez de pedir para a IA um site final, você pede um clipe muito específico: 16:9, 9 segundos, 1080p, com um produto flutuando em estúdio e uma sequência em que as peças se organizam até formar o objeto final. Depois esse vídeo não é usado como um anúncio normal. Você usa como linha do tempo visual e vai controlando os frames com o scroll. A sensação muda completamente. Já não parece a típica landing genérica gerada em bloco. Parece uma experiência montada com intenção.
O motivo de fundo é simples: a maior parte das landings feitas com IA falha porque tenta resolver identidade visual, copy, estrutura, motion e hierarquia tudo ao mesmo tempo. Decisão demais delegada, critério de menos. O truque aqui é reduzir o problema. A IA gera o movimento base do produto e você cuida do ritmo, do layout, de quando o texto aparece e de como a navegação se sente.
Se quiser ver um exemplo real desta ideia levada a código, o repositório fonte é este: edunavajas/custom-landings. Dá para ver muito bem o padrão. Há exemplos com telemóvel, teclado e câmara, e o interessante não é só o acabamento visual, mas a lógica: um vídeo hero em ecrã inteiro, uma zona sticky e um scrub por scroll que vai revelando o produto de forma progressiva.
Outro detalhe importante é que normalmente não convém usar o clipe gerado por IA exatamente como ele sai. Para scrub com scroll, o seeking tem de parecer limpo. Se o ficheiro estiver mal comprimido ou com uma estrutura de keyframes pouco amigável, a transição fica suja, dá saltos e mata bastante o efeito. Por isso faz sentido convertê-lo antes com ffmpeg e deixar uma versão mais confortável para scrubbing. Um comando razoável seria este:
ffmpeg -i input.mp4 -c:v libx264 -preset slow -crf 18 -g 1 -pix_fmt yuv420p -movflags +faststart output-seekable.mp4
A ideia não é “otimizar por otimizar”, mas preparar o clipe para que o scroll possa percorrer os frames com mais suavidade. No repositório, aliás, já se vê esse padrão com um ficheiro separado pensado especificamente para esse uso.
Com a parte técnica clara, o que realmente importa é o prompt. Se quiser que o resultado não cheire a IA, o prompt tem de descrever produto, composição, materiais, iluminação e movimento com intenção. Não basta escrever “make me a modern landing hero”. Você tem de pedir um plano que sirva como base cinematográfica, não uma demo genérica.
Se quiser acelerar a geração deste tipo de asset, eu também testaria ferramentas pensadas para esse fluxo. Este link de referidos da Higgsfield encaixa bem aqui porque a lógica é a mesma: conseguir primeiro um bom asset base e depois construir a landing em volta, em vez de esperar que a IA resolva o site inteiro sozinha.
Deixo abaixo os prompts do exemplo em inglês, exatamente como faz sentido trabalhá-los como base do asset visual:
Prompt para telemóvel
A premium futuristic smartphone floating in a dark luxury studio, exploded view with all internal parts separated in a clean and elegant composition, then smoothly assembling into the final product. Cinematic lighting, ultra detailed materials, polished metal edges, premium glass reflections, centered composition, black background, high contrast, realistic shadows, modern product commercial aesthetic, 16:9, 9 seconds, 1080p.
Prompt para teclado
A premium mechanical keyboard floating in a dark cinematic studio, exploded into separate keys, switches, plate and body, then smoothly assembling into the final keyboard. Elegant product commercial lighting, ultra detailed materials, brushed metal, subtle reflections, centered composition, black background, realistic shadows, modern luxury tech aesthetic, 16:9, 9 seconds, 1080p.
Prompt para câmara
A premium professional camera floating in a dark luxury studio, exploded view with lens, rings and body parts separated in a clean cinematic composition, then smoothly assembling into the final camera. Dramatic soft lighting, ultra detailed metal and glass materials, realistic reflections, centered composition, black background, high contrast, modern product commercial aesthetic, 16:9, 9 seconds, 1080p.
A graça é que os três seguem a mesma lógica: objeto suspenso, peças separadas, montagem limpa e estética de anúncio premium. Depois, quando leva isso para o frontend, o hero deixa de depender de um render estático e ganha muito mais presença com muito pouco. Scroll, vídeo, overlays bem medidos e copy curta. Não precisa de meter vinte animações extra à volta para funcionar.
Se reparar bem, o valor real desta abordagem não está em “usar IA”, mas em usar IA para uma única coisa muito concreta e depois construir por cima uma experiência web que pareça intencional. Aí está a diferença entre uma landing que parece só mais um template e outra que, mesmo usando assets gerados por IA, se sente moderna, controlada e bastante mais difícil de identificar como “feita por IA”.
Se quiser replicar isto, eu não começaria pelo design completo do site. Começaria pelo asset certo: um bom vídeo horizontal, curto e com montagem clara do produto. Depois montava o scroll reveal e só então escrevia o resto da landing à volta desse movimento. Neste caso, a ordem de construção importa MESMO muito.



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