A maioria tá usando o OpenClaw errado, e isso é um problema sério
Se você já ouviu falar do OpenClaw e instalou sem mexer em mais nada, basicamente você tem um chatbot glorificado. Sem configurar é exatamente isso: você pergunta, ele responde, ponto final. Mas bem configurado é uma história completamente diferente. Estamos falando de um agente que trabalha enquanto você dorme, que te avisa no celular quando termina uma tarefa, que lembra do que você disse semana passada e que consegue coordenar outros agentes para fazer coisas mais complexas.
Neste post eu explico do zero como deixar tudo configurado de verdade. Tanto se você já tem o OpenClaw instalado quanto se está começando do zero, aqui tem tudo que você precisa.
Antes de instalar qualquer coisa: onde colocar
A primeira decisão que você precisa tomar é onde o OpenClaw vai rodar. Tem gente que instala no próprio computador, outros num Mac Mini, e aí tem a opção que eu recomendo: MyClaw.
Um Mac Mini pode facilmente te custar $700 a $800, e ainda por cima você precisa deixar ele ligado 24/7 se quiser que o agente esteja sempre disponível. Instalar no seu próprio computador também não é o ideal porque assim que você o desliga ou coloca em modo de suspensão, o agente deixa de existir.
O MyClaw é uma plataforma especializada que sobe o OpenClaw pra você num servidor, sem terminal, sem comandos, com interface gráfica. Você configura tudo pelo navegador, tem suporte, e o mais interessante: tem provedores de IA com descontos melhores do que se você for direto na OpenAI ou Anthropic. Dá pra usar suas próprias API keys se já tiver, ou usar as deles por um preço mais em conta. Eu coloquei $30 pra gravar o vídeo e funcionou muito bem. O único caso onde pode não compensar é se você já tem uma assinatura que inclui créditos, tipo Codex, mas pra maioria das pessoas o MyClaw é disparado a opção mais prática.
O workspace: os arquivos que mudam tudo
Uma vez que você tem o OpenClaw rodando, o que realmente importa começa aqui. O OpenClaw tem um workspace - basicamente uma pasta com arquivos de configuração que o agente lê toda vez que inicia. Sem isso configurado não tem agente, tem chatbot.
Eu preparei um repositório com tudo isso já montado que você pode clonar diretamente: github.com/edunavajas/openclaw-workspace. Ele inclui todos os arquivos que vou explicar agora, já estruturados e com exemplos. Depois te conto como instalar, que é mais fácil do que parece.
Vamos arquivo por arquivo.
SOUL.md: a personalidade do agente
Esse é o arquivo onde você define como o agente fala e se comporta. Muita gente preenche com coisas do tipo “você é amável e prestativo” e depois fica se perguntando por que o agente responde como um manual de instruções.
O que funciona é ser específico: “tenha opiniões próprias”, “seja direto e não enrola”, “se conseguir resolver algo sozinho, faça sem me perguntar”. Coisas que realmente mudem o comportamento. Vale reescrever com a sua própria voz porque se não o agente fica genérico - e no dia a dia isso fica bem irritante.
USER.md: como ele te conhece
Cada sessão do OpenClaw começa do zero em termos de contexto. Ele não sabe quem você é a menos que você diga. O arquivo USER.md é exatamente isso: você se apresenta, diz seu nome, qual fuso horário está, quais projetos tem em andamento, quais aplicativos usa, em quais horários não quer receber notificações.
Quanto mais completo esse arquivo estiver, mais útil o agente é desde o primeiro momento de cada sessão. Não leva mais de meia hora preencher direito na primeira vez, e a partir daí você só precisa atualizar se mudar algo no seu contexto.
IDENTITY.md: quem é ele
Esse arquivo define a identidade do agente: como ele se chama, o que é, onde está rodando. Por padrão o OpenClaw tende a dizer coisas como “como modelo de linguagem…” e é exatamente isso que a gente quer evitar. Você dá um nome pra ele, diz o que é e onde roda, e para de ter um chatbot genérico para ter algo mais concreto.
Isso também é especialmente importante quando você começa a ter vários agentes se coordenando. Se você tem um squad de agentes e todos têm a mesma identidade indefinida, o caos é garantido.
MEMORY.md: o mais importante de todos
Sem esse arquivo cada sessão é como conhecer o agente pela primeira vez. Com ele, o agente lembra das suas preferências, decisões que vocês tomaram juntos, coisas que deram errado da última vez, o que funcionou. É a diferença entre um colaborador que te conhece e um que sempre começa do zero.
O truque aqui é que às vezes o agente não salva automaticamente no memory quando deveria. Para garantir que ele sempre faça isso, coloque uma instrução no SOUL.md ou no IDENTITY.md dizendo que ele deve anotar coisas novas no memory. Assim ele faz sem você precisar pedir toda vez.
HEARTBEAT.md: de reativo a proativo
É aqui que o OpenClaw dá o salto de ferramenta para agente de verdade. O heartbeat é basicamente um ping periódico: a cada X minutos, o agente consulta esse arquivo e se tem alguma tarefa pra atender naquele momento, ele age.
Você coloca as tarefas e quando executar. “Toda manhã às 7, revisa o calendário e me manda um resumo”. “Toda segunda, revisa o status dos projetos ativos”. “Quando alguém me mencionar no Slack, me notifica com um resumo”. O agente para de esperar você falar algo pra começar a agir por conta própria.
AGENTS.md: o manual de operações
Esse é o arquivo onde você explica o que ele pode fazer sozinho e o que precisa da sua permissão. Pense nisso como um contrato de delegação. Também é importante definir aqui como ele deve se comportar em grupos do Telegram ou Slack: quando intervir, quando ficar quieto. Se você não definir isso, o agente pode ficar bem chato respondendo coisas que não são com ele.
Como instalar tudo isso
O repositório github.com/edunavajas/openclaw-workspace já tem tudo estruturado: os seis arquivos que acabei de descrever, uma estrutura para um squad de múltiplos agentes, diretórios compartilhados e políticas de permissão.
Para instalar você tem duas opções. A mais fácil: dentro do próprio chat do OpenClaw ou MyClaw você pede pra ele clonar o repositório do GitHub e instalar o workspace (se você tiver a skill do GitHub configurada ele faz sozinho - ela já vem por padrão). Ou manualmente pelo terminal, que também não tem nenhum bicho de sete cabeças.
Uma vez instalado, o próprio agente vai te guiando para preencher seu perfil. Tem bastante coisa pra preencher, eu sei que dá preguiça, mas você faz uma vez direito e pronto - fica perfeito pro resto dos seus dias. Não precisa mexer de novo a não ser que mude algo importante na sua vida ou nos seus projetos.
Caso de uso real: o briefing matinal
Para você ver como tudo isso funciona junto, vou te contar o que eu mesmo uso. Toda manhã, antes de eu acordar, o OpenClaw revisa meu calendário, as menções pendentes, o e-mail e as notícias que me interessam, e me manda tudo resumido pelo Telegram ou WhatsApp.
Não preciso pedir nada, ele faz porque está configurado no heartbeat. Acordo e já tenho o contexto do dia me esperando.
O repositório inclui um prompt já preparado pra isso na pasta prompts/. É só copiar e mandar pro agente. Ele mesmo vai pedindo as credenciais que precisa conforme vai precisando delas - você não precisa passar tudo de uma vez.
O que vem por aí
O próximo vídeo vai ser sobre como dar ao agente acesso a uma conta do GitHub para que ele faça melhorias em projetos pessoais de forma autônoma. Se isso já te parece útil, o que vem a seguir vai te impressionar ainda mais.
Se você instalar o workspace e tiver alguma dúvida, pode deixar nos comentários ou me contatar diretamente. O repositório também tem seu próprio README com instruções mais detalhadas para cada arquivo. E se quiser começar o quanto antes, lembra que a forma mais rápida é com o MyClaw - que tira toda a parte de infraestrutura do seu caminho e te deixa focado no que importa: configurar direito.



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