Tem uma coisa que cansa rápido quando você trabalha com várias ferramentas de IA ao mesmo tempo: nunca fica claro, de bate-pronto, quanto uso ainda resta. Claude está de um lado, Codex de outro, Gemini em outro painel, Cursor tem a própria lógica, e quando você percebe já está pulando entre abas, dashboards e contas diferentes para conferir algo que deveria ser óbvio.
É justamente por isso que o PocketMeter me parece uma ideia tão boa. Em vez de deixar essa informação soterrada em mais um painel, ele tira isso do navegador e coloca fisicamente na sua mesa com uma telinha AMOLED e uma placa ESP32. Você enxerga enquanto trabalha, sem quebrar o foco e sem aquela ansiedade meio idiota de achar que a sessão vai morrer no meio do caminho.
O melhor é que não estamos falando de um brinquedo fechado nem de uma demo sem futuro. O projeto é open source, parte de uma ideia anterior chamada Clawdmeter e teve a arquitetura retrabalhada de um jeito que faz bem mais sentido no uso real: WiFi, daemon local, painel web e suporte para vários provedores em vez de parar só no Claude.
O Que Exatamente É o PocketMeter
PocketMeter é um medidor físico de uso para ferramentas de inteligência artificial. A base de hardware é uma Waveshare ESP32-S3-Touch-AMOLED-2.16, que já vem com bateria, tela e um formato compacto para ficar em cima da mesa sem transformar o projeto em uma maratona de solda num domingo à tarde.
A graça não está só no aparelho em si, mas em como o trabalho é dividido. De um lado há o firmware rodando no ESP32 e desenhando a interface. Do outro há um daemon em Python rodando no seu computador, lendo credenciais locais ou chaves de API, consultando o estado dos provedores e enviando o payload para o dispositivo via WiFi. E por cima disso ainda existe um painel web local em http://localhost:8080 para gerenciar parte da configuração sem precisar sair mexendo em ficheiros aleatórios na mão.
Em termos simples: o ESP32 mostra a informação, mas quem de facto a recolhe é o seu computador. Essa separação faz bastante sentido porque mantém o dispositivo leve e, ao mesmo tempo, aproveita os logins ou tokens que você já tem guardados na máquina.
Por Que Isso Faz Mais Sentido do Que Mais Um Dashboard
Sim, já existem aplicativos de desktop que mostram consumo e limites de serviços diferentes. O problema é que eles continuam morando dentro do computador, normalmente em mais uma janela que você não abre até já ser tarde demais. E esse é justamente o ponto importante.
Quando uma parte crítica do seu fluxo depende de limite de uso, a última coisa que você quer é lembrar de checar só depois que algo falhou. Ter um objeto físico na sua frente muda bastante a dinâmica. Não porque ele faça magia, mas porque transforma uma informação escondida em um sinal visível o tempo todo.
Também existe um fator meio bobo, mas bastante real: é divertido. Tem algo de muito bom em ter um gadget na mesa mostrando como estão Claude, Codex, DeepSeek ou qualquer outro provedor que você usa. Nem tudo precisa ser ascetismo de terminal e sofrimento em janela preta o dia inteiro.
De Clawdmeter a Algo Bem Mais Sério
PocketMeter não surgiu do nada. O ponto de partida foi o Clawdmeter, um projeto open source que já explorava a ideia de medir o uso do Claude com um dispositivo físico. A diferença é que aqui não foi feito aquele fork cosmético de mudar duas cores e colocar outro nome. Houve mudanças de verdade.
A maior delas está na forma como o dispositivo conversa com o computador. A ideia original girava em torno do Bluetooth como transporte principal, enquanto o PocketMeter segue a rota de WiFi + HTTP + daemon local. Isso encaixa muito melhor no uso real, evita depender de uma ligação Bluetooth permanentemente chata e ainda abre espaço para uma interface web mais confortável para gerir provedores, pets, visibilidade e outros ajustes.
O alcance também mudou. Em vez de ficar só no Claude, o projeto já contempla serviços como Codex, Gemini, Copilot, Grok, OpenAI, DeepSeek, Cursor ou até nomes como Kimi, sempre dependendo de existirem credenciais locais válidas ou de as APIs relevantes realmente exporem métricas úteis. Esse último detalhe importa, porque nem todo provedor entrega a mesma informação, muito menos do mesmo jeito.
A Parte Mais Divertida: Personalização e Pets
É aqui que o projeto fica um pouco mais nerd e bastante mais simpático. PocketMeter não se limita a mostrar barras e números; ele também permite atribuir pets e animações ao dispositivo. Parte desses assets vem do ecossistema do Clawd, e ainda existe integração com o PetDex para procurar sprites e convertê-los para um formato que o aparelho consiga usar.
Isso pode parecer detalhe, mas dá personalidade ao gadget e impede que ele pareça só mais uma telinha genérica comprada em marketplace. E se você passa todos os dias trabalhando com essas ferramentas, ter um toque visual próprio na mesa é exatamente o que faz o projeto deixar de ser um experimento técnico e virar algo que dá vontade de usar de verdade.
Claro que existe uma limitação perfeitamente normal aqui: quando você reduz sprites ou animações para a resolução que o hardware aceita, alguns pets ficam piores do que no original. Isso não é bug misterioso nem drama nacional. É só o preço de colocar pixel art e animação dentro de uma tela pequena com recursos finitos.
Como Instalar Sem Complicar o Que Já É Simples
A instalação não é especialmente difícil, mas vale a pena entender bem o fluxo. Primeiro você prepara o firmware do ESP32 com a sua rede WiFi, depois faz o flash, e então levanta no computador o stack local que cuida tanto do painel web quanto do daemon que empurra os dados.
Se estiver em macOS e quiser o caminho simples para instalar o PlatformIO, dá para fazer com Homebrew:
brew install platformio
Depois é só clonar o repositório e entrar nele:
git clone https://github.com/edunavajas/PocketMeter.git
cd PocketMeter
Antes de gravar qualquer coisa, você precisa copiar firmware/src/wifi_credentials.h.example para firmware/src/wifi_credentials.h e colocar ali as suas credenciais de WiFi:
#define WIFI_SSID "SuaRedeWiFi"
#define WIFI_PASSWORD "SuaSenha"
Se também quiser mudar o hostname do dispositivo, aí sim essa parte continua em firmware/src/config.h:
#define WIFI_HOSTNAME "pocketmeter"
Feito isso, o caminho normal no macOS é usar o script auxiliar:
./flash-mac.sh
Se quiser indicar a porta manualmente porque o sistema resolveu acordar mal-humorado, também dá:
./flash-mac.sh /dev/cu.usbmodem1101
Quando o firmware já estiver no dispositivo, o próximo passo sensato é subir o stack local completo:
./daemon/pocketmeter-stack.sh
Isso levanta o painel web em http://localhost:8080 junto com o daemon multi-provedor que detecta o ESP32 e vai enviando os dados. A partir daí, você já pode iniciar sessão nos provedores que usa ou guardar as respetivas API keys diretamente pelo painel.
Nota: o próprio autor comenta um detalhe bem terreno, mas importante: para fazer o flash, nem todo cabo USB-C se comporta igual. Se a placa não for detectada, não comece a culpar o universo. Teste outro cabo primeiro.
Também vale saber: esta placa liga-se à rede configurada no firmware e, na prática, se o seu router separa bandas, o mais seguro costuma ser usar a rede de 2.4 GHz.
Como É Usar Isso na Mesa Todos os Dias
A parte interessante do PocketMeter não é a instalação, mas o efeito que ele causa depois que começa a funcionar. De repente, o consumo deixa de ser um número escondido em alguma página de conta e passa a fazer parte do seu contexto de trabalho. Está ali, visível, o tempo inteiro.
Se você trabalha pesado com ferramentas como Claude Code, Codex ou vários provedores ao mesmo tempo, isso tem mais valor do que parece. Não porque o gadget vá magicamente fazer você programar melhor, mas porque remove um pouco de fricção mental. Você sabe quanto ainda resta, percebe quando algo está desconectado, nota se falta login e deixa de trabalhar no escuro.
Também gosto do fato de o projeto não tentar se vender com papo furado de produtividade milagrosa. No fundo, sim, é um capricho de mesa e uma nerdice técnica. Mas é exatamente isso que faz funcionar tão bem como projeto maker: mistura hardware, software, automação, design visual e uma necessidade pequena, mas muito reconhecível, para quem passa o dia entre CLIs, modelos e limites de uso.
O Mais Valioso Aqui Não É a Placa
O que tem mais valor aqui não é o ESP32 em si, mas a ideia de tirar informação importante para fora da tela principal. Esse padrão dá para aplicar a muito mais coisa. Hoje é consumo de IA. Amanhã pode ser estado de deploy, resultado de testes, fila de jobs ou qualquer outro sinal que você queira manter visível sem abrir mais uma aba.
É aí que projetos desse tipo deixam de ser mera brincadeira e viram uma forma bastante saudável de pensar produto. Você percebe uma irritação pequena, mas recorrente, constrói uma solução específica para ela e ainda aprende no caminho sobre firmware, comunicação local, UX física e automação. Nada mal para algo que, num olhar rápido, parecia só um gadget fofo com pets em pixel art.
Conclusão
PocketMeter me parece um daqueles projetos que chamam atenção pelo visual, mas ficam na cabeça pela ideia. Sim, tem esse lado de gadget nerd de mesa que dá vontade de ter. Sim, o pet ao lado do consumo tem boa parte da graça. Mas por baixo disso existe uma decisão de produto muito boa: pegar uma informação dispersa e chata e transformá-la em algo visível, simples e útil enquanto você trabalha.
Se você curte misturar programação, hardware e ferramentas de IA, este é exatamente o tipo de projeto que vale a pena fuçar. E se você vive com Claude, Codex, Cursor e companhia abertos o dia inteiro, provavelmente vai entender em poucos segundos por que ter o consumo na sua frente ajuda mais do que parece.
Se quiser montar o seu, o vídeo está logo aí em cima e o repositório público está aberto para você adaptar como quiser. E se tiver uma ideia melhor, outro provedor para integrar ou uma versão ainda mais ambiciosa do dispositivo, você já sabe: comentário, fork ou PR.


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