Se você já brinca com agentes há um tempo, o OpenClaw provavelmente soa bastante familiar. Por um tempo, foi uma das coisas mais interessantes que surgiram para montar um assistente com ferramentas reais, canais e memória. O problema é que, quando você passa da brincadeira para o uso diário, as costuras começam a aparecer. Não porque a ideia seja ruim, mas porque chega um ponto em que tudo fica muito misturado: instruções, memória, automações, skills e contexto operacional vivendo no mesmo lugar.
Por isso eu acho interessante o Hermes Agent. Não digo isso no estilo “saiu a novidade e pronto”, porque nesse setor isso acontece a cada dois dias. Digo porque a proposta faz bastante sentido se você vem do OpenClaw e já se deparou com seus limites. O Hermes Agent, que também é open source e vem da Nous Research, parte de uma ideia muito simples: um agente útil não precisa apenas de mais ferramentas, precisa de mais ordem.
Por Que Agora Me Parece Melhor Alternativa Que o OpenClaw
O OpenClaw abriu uma porta importante. Nos ensinou que você podia conversar com um agente pelo Telegram, colocá-lo em um servidor, conectá-lo a serviços externos e pedir coisas realmente úteis. Isso continua sendo poderoso. Mas também deixou uma sensação bastante clara para muita gente: quando tudo depende demais do chat e do contexto imediato, manter o sistema limpo se torna um incômodo.
O Hermes Agent vai justo nesse problema. A graça não está em fazer magia diferente, mas em tentar separar melhor cada camada do agente. E essa diferença, que em um vídeo pode soar como detalhe técnico, no dia a dia se nota muito. Não é a mesma coisa ter um assistente que hoje responde bem porque tem o contexto fresco, do que ter um que sabe distinguir o que é uma instrução estável, o que é uma restrição, que feedback merece ser guardado, que lembrança deve persistir e que parte pertence à orquestração geral.
A Ideia Importante: Memória, Skills e Aprendizado Não São a Mesma Coisa
Aqui é onde eu acho que o Hermes dá o salto mais interessante. Muita gente joga tudo no mesmo saco e depois se pergunta por que o agente fica inconsistente. Mas não, uma memória não é uma skill, e uma skill não é a mesma coisa que aprender.
A memória deveria guardar coisas que valem a pena lembrar entre sessões. Suas preferências, decisões que já estão tomadas, contexto útil, erros que não convém repetir ou informações sobre como você trabalha. As skills são outra coisa. Uma skill é um procedimento reutilizável. É uma forma estruturada de fazer algo repetidamente sem ter que explicar ao agente do zero.
E aí está o aprendizado, que é outra camada distinta. Aprender não é arrastar mais texto dentro do prompt toda vez. Aprender de verdade é detectar que uma tarefa se repete, que há uma forma de resolvê-la que funciona, e converter isso em algo reutilizável. Aí é onde o Hermes se torna especialmente atraente, porque uma das ideias que propõe é justamente essa: que um procedimento repetido possa acabar convertido em skill em vez de ficar enterrado em um chat antigo ou em uma memória mal colocada.
Harness Engineering, Mas Bem Separado
Outra parte que eu acho muito boa do Hermes é como ele aterriza o que alguns chamam de harness engineering. O nome soa mais estranho do que realmente é. No final das contas falamos das camadas que envolvem o modelo para que ele deixe de ser apenas um LLM respondendo texto e passe a se comportar como um agente usável.
No Hermes essa ideia se entende muito bem porque se apoia em cinco camadas que têm bastante lógica quando você as olha com calma: as instruções, as restrições, o feedback, a memória e a orquestração. As instruções são o que marcam o comportamento geral. As restrições colocam limites para que ele não faça bobagens ou saia do marco. O feedback serve para ir afinando o que funciona e o que não funciona. A memória guarda o que deve sobreviver a uma conversa específica. E a orquestração decide como tudo isso encaixa com ferramentas, tarefas, canais e execução real.
Dito assim parece uma frescura de nomenclatura, mas não é. Quando essas camadas estão melhor separadas, o agente deixa de ser uma massa de prompt acumulado e começa a se comportar com muito mais coerência.
Não Vive Só no Terminal
Outra coisa que eu gosto é que o Hermes Agent não se propõe como um experimento trancado em console para fazer demos bonitas. Você pode usar por console, sim, mas também conectá-lo a outros canais como Telegram, Discord ou até mesmo e-mail. E isso muda bastante a história, porque um agente de verdade faz sentido quando pode estar onde você já trabalha, e não apenas em uma janela técnica aberta por curiosidade.
Aí ele também segue a linha do OpenClaw, que era justamente uma de suas partes mais poderosas. A diferença é que o Hermes parece querer fazer isso com uma base mais limpa para que depois você não acabe remendando metade do sistema toda vez que adiciona uma integração nova.
Dá Para Rodar em Local ou em um VPS, Que É Como Deveria Ser
O Hermes não se trata de te vender um app fechado e pronto. Dá para rodar em local se você quiser fazer testes ou mantê-lo por perto enquanto mexe, mas também você pode montá-lo em um VPS para deixá-lo 24/7 funcionando, que no final das contas é o interessante se você quer que ele atue como assistente de verdade.
A instalação, além disso, não parece pensada para complicar sua vida. No Linux, macOS e também no WSL2 a inicialização vai com este one-liner: curl -fsSL https://raw.githubusercontent.com/NousResearch/hermes-agent/main/scripts/install.sh | bash. Se você estiver no Android com Termux, usa exatamente o mesmo comando e o instalador detecta o Termux automaticamente. No Windows nativo ainda vai em early beta, mas já têm também o comando deles no PowerShell: irm https://raw.githubusercontent.com/NousResearch/hermes-agent/main/scripts/install.ps1 | iex.
Isso não quer dizer que não continue havendo uma parte de infraestrutura, ainda que pequena. Você tem que decidir onde vai rodar, que credenciais vai usar e que permissões reais dá a ele. Justamente por isso vale a pena olhar o guia de instalação completo na documentação oficial do Hermes Agent, que é aliás o que comentam no vídeo quando entram nessa parte. Aí explicam com calma o que realmente faz o instalador, como fica o layout se você monta por usuário ou como root e que nuances existem no Windows. Você encontra em https://hermes-agent.nousresearch.com/docs e, sinceramente, é a forma mais rápida de não perder tempo com passos pela metade.
Escolher Provedor Deixa de Ser uma Prisão
Outro ponto prático é que ele não te casa com uma única IA. Quando termina de instalar, a parte natural seguinte é conectá-lo a algo útil, e aí é onde o Hermes encaixa bastante bem com o que se ensina no vídeo. Você pode usar o Ollama se preferir rodar modelos em local, usar o OpenRouter se quiser ter vários modelos e provedores sob uma única porta, ou conectá-lo ao ChatGPT e em geral a provedores de estilo OpenAI se você já trabalha com aquele ecossistema. E aí está a outra metade do assunto: não só a que modelo conectá-lo, mas por onde você vai conversar com ele. Aí voltam a entrar integrações como Telegram, que é onde muitos acabam notando se o agente realmente serve ou se fica em demo bonita.
No final das contas, o bom de um agente assim não é casar com uma marca, mas poder escolher a ferramenta adequada para cada caso. Há tarefas onde compensa gastar mais e outras onde não faz nenhum sentido. Se além disso o sistema está melhor organizado, essa escolha pesa menos no caos geral e mais no desempenho real.
A Migração Desde o OpenClaw Parece Bem Mais Amigável Do Que Eu Esperava
Se você já tem o OpenClaw montado, aqui há uma coisa que me fez rir porque é simples mas útil. A migração existe e não parece pensada como um drama. O comando é este:
hermes claw migrate
E só por isso já se nota que entendem de onde vem a galera que vai experimentá-lo. Não estão fingindo que o OpenClaw não existiu. Pelo contrário. Assumem que muita gente vem justo de aí e que o lógico é oferecer uma rampa de entrada razoável.
Isso sim, a boa migração não é apenas passar arquivos. A limpeza mental também importa. Se no OpenClaw você tinha instruções eternas misturadas com lembranças irrelevantes e procedimentos que deveriam ter sido skills há muito tempo, levar tudo isso tal qual para o Hermes seria trocar de nome para continuar com o mesmo caos.
Onde De Verdade Pode Fazer a Diferença
Para mim, o mais promissor não é um canal concreto nem uma integração concreta. É o ciclo. A possibilidade de que o agente faça algo, receba feedback, guarde o que deve, distinga se isso pertence a memória ou a uma skill, e vá refinando sua forma de trabalhar sem converter cada conversação em um aterro de contexto.
Esse ponto me parece chave porque é justo o que separa um chatbot vitaminado de um agente que realmente evolui com você. Se cada procedimento repetido pode ser refinado até se converter em skill, e se a memória deixa de ser uma gaveta bagunçada para guardar apenas o que merece persistir, o sistema ganha muito valor com o tempo em vez de se degradar.
Minha Leitura Pessoal
Eu não diria que o Hermes Agent vem para apagar o OpenClaw do mapa nem me compraria aquele título fácil, mas sim acho que agora é uma alternativa muito melhor pensada. Sobretudo para a galera que já passou a fase do hype e quer algo que se possa manter sem brigar constantemente com o contexto, com prompts cada vez mais gordos ou com automações que só funcionam quando se alinham os planetas.
O OpenClaw teve muito mérito porque nos ensinou para onde a coisa ia. O Hermes Agent me dá a sensação de pegar essa intuição boa e ordená-la melhor. E sinceramente, em agentes, essa ordem vale mais do que parece.
Se você vem do OpenClaw e estava esperando algo que conserve a boa ideia mas com uma base mais limpa, eu aqui sim colocaria o olho.



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